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Olhando pela janela, aqui no Centro de Curitibanos, enquanto o frio do final de tarde aperta, fico pensando em como as salas de aula mudaram — e em como certas dinâmicas continuam exatamente iguais.
Todo mundo que já passou por uma escola da nossa região lembra da famosa "turma do fundão". Para muitos professores, aquela última fileira é sinônimo de dor de cabeça. Ali senta o aluno que se desconcentra com o menor sinal de giz batendo no quadro. Qualquer mosquito que passe vira motivo de distração.
Mas guarde o julgamento. Há um outro lado nessa moeda que a gente raramente para a analisar.
A Visão de Cima do Tabuleiro.
A verdade é que o aluno do fundão desenvolve uma habilidade raríssima: a visão holística. Lá de trás, ele não vê apenas a matéria isolada na lousa. Ele enxerga o todo. Mapeia o ambiente, sabe quem está cochichando, quem entendeu a matéria e quem está aéreo.
Lê a linguagem corporal, percebe o movimento da carruagem antes mesmo que o professor note. Ele processa estímulos múltiplos: Filtra o barulho da rua, a conversa do lado e o conteúdo da aula ao mesmo tempo. O Profissional que o Mercado Procura
Se esse jovem consegue passar por esse bombardeio de estímulos, filtrar o que importa e ainda entregar boas notas, parabéns: nós temos um fenômeno.
O mercado de trabalho de hoje — seja nas grandes indústrias da nossa região, no comércio ou no agronegócio — não quer mais pessoas isoladas em uma bolha. O mundo corporativo atual é um verdadeiro "fundão" barulhento.
Quem consegue manter o foco no meio do tumulto, ler o cenário completo e ainda entregar resultados é quem alcança o sucesso. O verdadeiro talento moderno não é aquele que precisa de silêncio absoluto para produzir, mas sim quem brilha enquanto a carruagem roda.
Quem passa pela Avenida Salomão Carneiro de Almeida no início da noite vê o movimento dos nossos trabalhadores e estudantes. Muitos deles carregam o estigma de terem sido, um dia, os "inquietos" da última fileira da sala de aula.
Por décadas, o senso comum ditou que o bom aluno era aquele que sentava na frente, estático, de olhos fixos no quadro. Um erro crasso de leitura humana. O mercado de trabalho atual mudou as regras do jogo e, hoje, a periferia da sala de aula revela-se o melhor laboratório de liderança.
As empresas modernas — seja no nosso forte agronegócio regional, na indústria madeireira ou no comércio varejista — não operam em salas silenciosas. O ambiente corporativo real é barulhento, dinâmico e cheio de interrupções simultâneas.
Aquele estudante que se desconcentra fácil com o que está estático na frente, na verdade, está processando o ambiente. Ele desenvolve uma visão holística rara. Lá de trás, ele enxerga o todo: quem produz, quem sabota, quem lidera e quem precisa de ajuda.
Se esse jovem consegue filtrar o tumulto e, ainda assim, absorver o conteúdo e entregar resultados, ele possui a competência mais cara do século XXI: a atenção seletiva resiliente.
O profissional que o mercado busca não é o que exige silêncio absoluto para produzir. O ouro empresarial está em quem consegue performar com a carruagem em pleno movimento. O fundão da escola, quem diria, virou a primeira fila do sucesso nos negócios.
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